Para fazer ecoar a importância econômica do tabaco

Vinícius Pegoraro, prefeito do município gaúcho de Canguçu, foi reeleito presidente da Associação dos Municípios Produtores de Tabaco (Amprotabaco) para o biênio 2023/2024. Conforme ele, a missão da entidade é a defesa da produção que, neste ano, é desafiadora diante do cenário de antagonismo com a proximidade de mais uma Conferência das Partes (COP 10), da Convenção-Quadro para o Controle do Tabaco (CQCT), que será em novembro. Em entrevista ao Blog Empreendedores do Campo, ele falou também da importância do tabaco para os municípios, para as famílias produtoras e para o bem-estar das populações das regiões produtoras.

Quais os planos e objetivos para a sua nova gestão na presidência da Amprotabaco?

Os principais objetivos desta gestão estão muito alinhados ao que foi traçado no mandato anterior. Nós precisamos seguir divulgando toda a pujança e toda importância que a cadeia produtiva tem para os municípios produtores de tabaco. A gente tem uma cultura que tem um cuidado muito grande com a questão ambiental, com a questão social, que gera também um grande desenvolvimento econômico dos municípios, fazendo com que as famílias produtoras tenham uma melhora significativa na qualidade de vida. Além disso, essas famílias acabam sendo propulsoras de desenvolvimento porque investem no próprio município esse dinheiro que faturam com a cadeia produtiva do tabaco. Além disso, os produtores não têm na cultura do tabaco sua única fonte de renda, são famílias que diversificam a produção, contribuindo para o desenvolvimento dos municípios por meio da arrecadação de tributos. Graças ao trabalho e esforço dos agricultores muitas prefeituras podem fazer investimentos importantes em áreas como saúde e educação. 

Neste ano, haverá mais uma Conferência das Partes da Convenção-Quadro para o Controle do Tabaco, a COP 10, no Panamá. Como a Associação dos Municípios pretende atuar para fazer frente às possíveis discussões e deliberações que afetam a produção no Brasil?

Em relação à COP, o nosso grande papel é fazer com que a importância da cultura do tabaco para nós municípios produtores ecoe dentro dos espaços que estarão representando o Brasil. Não é possível que o Brasil leve uma posição diferente daquela que é o sentimento das famílias que produzem e dos municípios aonde tem a produção. Então, precisamos destacar toda essa importância da cultura do tabaco para os municípios na questão do desenvolvimento econômico, propiciando que invistam em políticas públicas, bem como para as famílias, proporcionando o desenvolvimento social. E mais, é uma cadeia produtiva que cuida das questões ambiental, trabalhista e da diversificação. Portanto, é uma cadeia que é muito relevante para o Brasil, que é o País que mais exporta tabaco no mundo. O tabaco brasileiro tem um alto valor, justamente por cuidar de todas essas questões já mencionadas e é necessário que o País possa fazer esse posicionamento lá na COP, de defender a manutenção da produção de tabaco e tudo o que ela representa.

O que o tabaco representa para o seu município, Canguçu?

Canguçu é um exemplo do que a cultura do tabaco representa para o bem-estar da população. Por exemplo, Em 1997, antes do boom do tabaco, o orçamento geral do nosso município era de R$ 6 milhões. A arrecadação foi aumentando gradativamente e hoje já ultrapassa os R$ 220 milhões. E percebemos que é o pequeno produtor de tabaco que fortalece o comércio e investe em construção civil, ou seja, gera retornos que vão muito além do meio rural.

Quais são os maiores desafios para defender a cadeia produtiva do tabaco? Esses desafios se assemelham a outros produtos do agronegócio?

Infelizmente, o que vejo é muita desinformação envolvendo a produção do tabaco. A maioria não conhece a importância desse trabalho para a economia dos municípios envolvidos e principalmente, para muitas famílias. Outra questão que muitos desconhecem é a existência de um sistema rígido de controle sanitário, ambiental e social envolvido, a qual precisa ser analisada de forma independente da pauta antitabagista.

Quais os maiores mitos – ou fake news – que envolvem a produção de tabaco a seu ver?

Um grande mito é o pensamento de que a cultura do tabaco é a que mais utiliza agrotóxicos. Na verdade, o tabaco brasileiro está entre os produtos agrícolas que menos utiliza agrotóxico. De acordo com as pesquisas, a cultura de tabaco utiliza em média 1 quilo de ingrediente ativo por hectare, quantidade muito inferior ao de outras culturas que utilizam até 45 quilos por hectare. Acredito que, por ter um produto controverso, essa cultura fica mais vulnerável a ataques. Por isso, temos que abordar o tema do tabaco com informações baseadas em fatos, com dados atualizados e com fontes oficiais.

DIRETORIA DA AMPROTABACO  

GESTÃO 2023/2024

Presidente: prefeito Marcus Vinicius Müller Pegoraro (Canguçu/RS)

Vice-presidentes: prefeito Jarbas da Rosa (Venâncio Aires/RS), prefeito Gervásio Maciel (Ituporanga/SC) e prefeito Abimael do Valle (São João do Triunfo/PR)

Secretário: prefeito Rudinei Harter (São Lourenço do Sul/RS)

Vice-secretário: prefeito Leandro Jasinski (Rio Azul/PR)

Tesoureiro: prefeito Carlos Gustavo Schuh (Vale Verde/RS)

Vice-tesoureiro: prefeito Paulo Gilberto Schmitt (Progresso/RS)

CONSELHO FISCAL 

Prefeito Marciano Ravanello (Arroio do Tigre/RS), prefeito Gilson Adriano Becker (Vera Cruz/RS), prefeito Ivo de Lima Ferreira (Camaquã/RS), prefeito Maiquel Evandro Laureano Silva (Vale do Sol/RS), prefeito Rafael Neitzke Tambozi (Pouso Redondo/SC) e prefeito Lademir Fernando Arcari (Irineópolis/SC).

Secretário executivo: Guido Hoff

Assistente Administrativo: Isabel Menna Barreto de Almeida