Vítimas da desinformação

23 . FEV . 2018 Saiu na mídia

Iro Schünke, presidente do Sindicato Interestadual

da Indústria do Tabaco (SindiTabaco)

sinditabaco@sinditabaco.com.br

 

Em tempos de fake news e de tantas opiniões rasas, a informação é uma arma poderosa. Aprofundar determinado tema antes de emitir opinião parece ético e moral, mas na prática não é o que acontece. A ideologia, em muitas áreas, não dá espaço para a razão. Proponho um exercício: você conhece o setor do tabaco? É possível que já tenha ouvido sobre ele. Mas antes de formar sua opinião, permita-me apresentar alguns fatos.

 

Pesquisa da UFRGS, de 2016, apontou que enquanto 80% dos produtores de tabaco enquadram-se nas classes A e B, a média brasileira não chega a 22%. E mais, que a renda per capita mensal dos produtores de tabaco é de R$ 1.926,73, bem acima da brasileira, de R$ 1.113,00 (IBGE, 2015). O bom padrão socioeconômico dos produtores de tabaco ficou evidenciado, assim como o alto grau de satisfação em trabalhar no setor (90%).

 

O Brasil é o 2º maior produtor e o 1º no ranking mundial de exportações de tabaco há 25 anos. O Rio Grande do Sul é responsável por 50% da produção brasileira e o tabaco representa 10% do total de embarques gaúchos anuais. Nosso Sistema Integrado de Produção completa 100 anos em 2018 e prima pela qualidade e a integridade do produto, com assistência técnica e garantia de compra aos produtores, além de um diferencial competitivo: a produção sustentável. Temos servido de modelo para o agronegócio, sendo peça econômica e social relevante para os gaúchos e para o País.

 

Fomos pioneiros na preservação da Mata Atlântica com um acordo inédito assinado junto ao Ibama. Pioneiros no combate ao trabalho infantil e na oferta de alternativas para os jovens rurais, por meio do Instituto Crescer Legal. Pioneiros em garantir a saúde e segurança do produtor ao desenvolver uma vestimenta de colheita específica e uma coleta itinerante de embalagens vazias de agrotóxicos. Aliás, o tabaco brasileiro é o produto comercial agrícola que menos utiliza agrotóxico. A conclusão não é minha, mas de pesquisas realizadas pela ESALQ/USP e pela UNICA, com base em dados do SINDAG e IBGE.

O exercício termina aqui. O que você ia dizer mesmo?

 

Publicado em Zero Hora/Opinião (23 de fevereiro 2018)