Tabaco brasileiro aguarda parecer da China para ser embarcado

3 . AGO . 2020 Releases

Agosto 2020 – Devido à pandemia, a pré-inspeção do tabaco, uma das exigências do protocolo bilateral de comércio entre Brasil-China, ocorreu sem a presença dos técnicos da Administração Geral das Alfândegas da República da China (GACC)Em acordo com o GACC, o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA) ficou encarregado da coleta das amostras do produto processado e envio à Central Analítica da Universidade de Santa Cruz do Sul (UNISC) para testes laboratoriais que comprovem a fitossanidade do tabaco brasileiro antes do embarque.

O encerramento oficial das atividades ocorreu na última sexta-feira, 31 de julho, por videoconferência, e reuniu representantes do Sindicato Interestadual da Indústria do Tabaco (SindiTabaco) e empresas exportadoras, do MAPA e UNISC. O presidente do SindiTabaco, Iro Schünke, abriu a reunião.

“Dizer que estamos chegando ao final deste processo em um ano atípico e cheio de desafios como este já é uma grande vitória, o que só foi possível com o empenho de todas as entidades e empresas envolvidas nesse processo. A China é um dos maiores importadores do tabaco brasileiro, ajudando a fortalecer cada vez mais toda a cadeia produtiva no País. Ficamos satisfeitos que em 2020 houve um acréscimo no volume comprado, ou seja, mais tabaco foi comprado comparativamente que o ano passado e esperamos que isso seja uma curva ascendente”, ressaltou Schünke.

Roque Danieli, da Superintendência do MAPA no RS, apresentou o resultado das análises realizadas e que serão despachadas à China para parecer final. Segundo ele, foram 58 amostras coletadas nos lotes de tabaco processados por sete empresas. “Todas cumpriram os requisitos sanitários e não foram detectadas pragas quarentenárias constantes no protocolo”, informou.

Daniele também comentou que técnicos do MAPA têm realizado inspeções no campo para averiguar o uso de agrotóxicos. “Percebemos que os produtores de tabaco não estão utilizando nenhum produto fora daqueles registrados e autorizados pelo MAPA. É o setor que menos tem tido problemas no assunto de defensivos, muito em função da PI Tabaco que teve a participação do MAPA na sua implementação. Temos verificado que ao longo dos anos a qualidade do tabaco vem melhorando e, considerando que esse é um trabalho das equipes de campo, salientamos que esse trabalho deve continuar, uma vez que é também um relevante fator para o comércio internacional”, ressaltou.

A responsável técnica do laboratório da Central Analítica da UNISC, professora Adriana Dupont, destacou que a inspeção é apenas uma parte do trabalho que vem sendo realizado e muito importante para a Região Sul do País. Dupont explicou que foram 40 dias de intenso trabalho avaliando o tabaco processado para poder entregar os laudos dentro do prazo, destacando que não foram encontradas estruturas viáveis de pragas quarentenárias, o que deve resultar na autorização de embarque do produto pelas autoridades chinesas.

Izabela Mendes Carvalho, chefe da divisão de programas especiais do Ministério da Agricultura em Brasília, parabenizou a todos pelo excelente trabalho. “Este é um trabalho conjunto e que viabilizou por mais um ano a exportação do tabaco brasileiro para a China, cumprindo com todas as exigências sanitárias do mercado chinês. Os inspetores da GACC e representantes comerciais não puderam vir ao Brasil devido às circunstâncias e agradecemos pela confiança no Ministério da Agricultura que ficou encarregado pela coleta, monitoramento e todo o processo de certificação fitossanitária. Esclarecemos que todos os procedimentos foram rigorosos no sentido de garantir a segurança do tabaco a ser exportado”, concluiu. Izabela informou ainda que nesta segunda-feira, 03 de agosto, “todos os documentos serão encaminhados para a China para que possam ser analisados e processados da forma mais rápida possível”.

Xinghua Zhou, presidente da China Tabaco Internacional do Brasil (CTIB), informou que o objetivo agora é conseguir o mais rápido possível o resultado da GACC. “Depende do órgão chinês a aprovação para embarcar para a China. Temos mais uma etapa pela frente e esperamos que esse momento de embarque se concretize o mais rápido possível”, comentou o executivo.

A China é um importante parceiro do agronegócio brasileiro há alguns anos e isso também acontece no setor do tabaco: em 2017 figurou como segundo maior país comprador do tabaco brasileiro, gerando US$ 276 milhões em divisas, o que representou 13% do total embarcado no ano. Em 2018, devido a questões logísticas e à decisão do cliente de postergar embarques para o primeiro semestre de 2019, o país figurou na terceira colocação, com US$ 165 milhões embarcados. Em 2019, voltou à segunda colocação, com US$ 383 milhões.

 

PARA SABER – O tabaco representou 0,95% do total de exportações brasileiras e 4,84% dos embarques da Região Sul de 2019. No Rio Grande do Sul, estado que concentra mais da metade da produção brasileira, o produto foi responsável por 9,62% do total das exportações.

Infográficos da cadeia produtiva do tabaco

5 maiores importadores do tabaco brasileiro

(Fonte: Ministério da Economia) 

 

Ranking  

2017  

2018  

2019 

 

Bélgica / US$ 342 mi

Bélgica / US$ 446 mi

Bélgica / US$ 526 mi

 

China / US$ 276 mi

EUA / US$ 190 mi

China / US$ 383 mi

 

EUA / US$ 198 mi

China / US$ 165 mi

EUA / US$ 189 mi

 

Itália / US$ 120 mi

Indonésia / US$ 125 mi

Indonésia / US$ 106 mi

 

Indonésia / US$ 105 mi

Egito / US$ 112 mi

Rússia / US$ 77 mi

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Crédito: Junio Nunes

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