Brasil produz alimentos vegetais sem resíduos de pesticidas

Em dezembro de 2019, foram divulgados pelos Ministérios da Saúde e da Agricultura os resultados das análises de resíduos de pesticidas em alimentos de origem vegetal produzidos no Brasil. Os resultados mostraram que os alimentos são seguros e saudáveis, estando no mesmo nível dos alimentos produzidos e consumidos na Europa e nos Estados Unidos.

Estes dados científicos são fundamentais para proporcionar a necessária tranquilidade aos consumidores, que não precisam se preocupar ao adquirirem verduras, hortaliças, frutas e grãos para a alimentação, quanto a presença de resíduos de pesticidas que possam causar algum problema à saúde.

Em 11 de dezembro de 2019, o Ministério da Saúde, por meio da ANVISA (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) publicou os resultados do PARA (Programa de Análise de Resíduos de Agrotóxicos em Alimentos) referente a 4616 amostras de 14 alimentos, coletadas em supermercados entre agosto de 2017 e junho de 2018.

Foram pesquisados 270 ingredientes ativos de produtos usados para a proteção de lavouras. Constatou-se que as amostras com potencial de risco devido aos pesticidas foi 0%. Apenas 0,89% das amostras apresentaram potencial de risco agudo.

Ainda de acordo com o PARA/2019, 49% das amostras não apresentaram resíduos dos 270 ingredientes pesquisados e 28% das amostras apresentaram resíduos abaixo do LMR (Limite Máximo de Resíduos) estabelecido, demonstrando que as BPAs (Boas Práticas Agrícolas) foram seguidas pelos agricultores. 23% das amostras apresentaram inconformidades, principalmente por apresentarem resíduos de pesticidas não registrados para aquela cultura (produtos NPC: Não Permitidos para a Cultura ou NA: Não Autorizados).

Isto ocorre principalmente nas culturas de menor expressão, denominadas “minor crops” ou CSFI (Cultura com Suporte Fitossanitário Insuficiente). Indica a falta de produtos registrados para estas culturas e a necessidade de ações para que sejam disponibilizados para manejo de pragas que precisam ser controladas quimicamente.

Em 16 de dezembro de 2019, o Ministério de Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA), publicou os resultados do PNCRC/Vegetal (Plano Nacional de Controle de Resíduos e Contaminantes em Produtos de Origem Vegetal). Foram monitorados pesticidas, micotoxinas e microrganismos patogênicos ao homem. Foram analisadas 4828 amostras, de 42 alimentos coletados em centros de abastecimento, beneficiadores e propriedades rurais entre 2015 e 2018.

Foram pesquisados mais de 200 ingredientes ativos de protetores químicos de plantas. Constatou-se que 92% das amostras estavam em conformidade, demonstrando a segurança dos alimentos produzidos no Brasil.

Ainda de acordo com o PNCRC/Vegetal, 6,6% das amostras apresentaram resíduos de pesticidas não registrados para as culturas (“minor crops” ou CSFI), como pimentão e morango.

Desta forma, de acordo com o MAPA, apenas 4,3% das amostras apresentaram resíduos acima do limite estabelecido (LMR) ou resíduos de pesticidas proibidos no Brasil.

Constata-se que a qualidade dos alimentos produzidos no Brasil, sob o ponto de vista de resíduos de pesticidas, é semelhante à dos alimentos produzidos na Europa e nos Estados Unidos. Resultados divulgados pela Autoridade de Segurança Alimentar Europeia (EFSA) e pela Administração de Alimentos e Medicamentos dos Estados Unidos (FDA) mostram porcentagens de inconformidades muito parecidas com ao do Brasil.

Desta forma, alimentos produzidos no Brasil estão plenamente de acordo com parâmetros internacionais. Portanto, são seguros tanto para a população brasileira como para exportação.

Colunista

José Otavio Menten

Engenheiro Agrônomo, mestre em Fitopatologia, doutor em Agronomia, Livre Docente em Fitopatologia e com pós-doutorados em Resistência e Epidemiologia (Holanda), Patologia de Sementes (Dinamarca) e Biotecnologia (Cambridge, Inglaterra). É professor associado da USP/ESALQ, presidente do Conselho Científico Agro Sustentável e coordenador Comissão Coordenadora do Curso de Engenharia Agronômica da USP/ESALQ. Membro do Conselho Superior do Agronegócio. Foi diretor executivo da ANDEF (Associação Nacional Defesa Vegetal), pesquisador da EMBRAPA, IAC e CENA-USP, vereador e secretário de Agricultura em Piracicaba (SP).